Eu sou muitos. Seria exigir demais de mim que fosse somente um, afinal a cada encontro, a cada beijo, a cada olhar, como uma máquina que recebe comandos por meio de suas teclas, abro-me a novas possibilidades de ser, de ter e, claro, de fazer (Lucas Rodrigues LOPES, 2011)
Saindo de um lugar calmo e tranquilo, chega-se à Terra. Como todo ser de luz, quer um lugar ao sol. Com o passar do tempo, há uma insistência de que há muito mais para ser visto do que se costuma ver; muito mais para ser feito do que se tem feito. Um dia, a uma conclusão se chega- Devore ou, então, será devorado.Em outro, com ares de altivez, é implorado - Viva ou deixe ir. Mas, o todo concorda num aspecto - Ao se juntar à manada de humanos que não apenas existem, jamais exija mais do que realmente dá.
Viva ciclos. Ciclos de fortuna. Ciclos de fé. Ciclos de esperança. Então, sorrateiramente, encontre o seu lugar. Todavia, para sua surpresa, se dê conta de que nada nem ninguém é estático, O para sempre acaba. Ele se move.
Nessas idas e vindas, cairá, voará às estrelas, navegará pelos seus problemas. E o mais importante - Aprenderá a viver com suas eternas cicatrizes.
(Lucas Rodrigues Lopes)
Me diga que ficará para sempre. Digo que ficarei o presente. Não sei do futuro. Os desenhos do porvir ainda não se apresentaram para mim. Essa é minha definição de vida.
Mas, há pessoas que são de laços. Fazem exigências. Querem a eternidade. Buscam pela completude. E bradam - Felicidade acima de qualquer um e de qualquer coisa.
Sou diferente. Me sinto diferente desde que me encontrei com a primeira pessoa.
Os olhos atentos e sedentos por atenção me ensinaram uma dura lição - Quando estamos nos acostumando ao que nos faz bem, tudo entra em colapso. Nossos pais não são os mesmos, quem gostamos parece ter se transformado em monstro, a condição humana não é estática. Estamos em constante evolução. Voltamos, sim, mas jamais somos os mesmos. As experiências e vivências nos fazem diferentes diante do mesmo, com o qual achamos que saberemos lidar. Ledo engano! A vida é um acordar sem chão, desenhar sem cores e buscar um sabor que ao menos distraia o amargo de nosso sonhar acordado. Por isso, considero a vida uma carona, às vezes só de ida ao inferno de nossas emoções casuais e efêmeras, mas que nos deixam atordoados, quando o para sempre sempre acaba.
(Lucas Rodrigues Lopes)
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Se não agora,
depois.
Se não hoje,
amanhã.
Mais que cedo,
toda vida tarde.
Ir quando se quer
voltar
Busque,
mas silencie
Liberte,
mas esqueça
Bata asas,
mas deixem que orientem o voo
Antes de tudo, questione,
mas respeite o diferente.
O igual mutila.
A diferença aplaude.
(Lucas Rodrigues Lopes)
Acredito em ciclos.
Foram anos de labuta, de caminhos, de entradas e saídas. A atividade desempenhada por um professor sempre será a base de todo social. Dela muitos outros podem compor seus sonhos; ser quem um dia tanto sonharam.
Consciente de que a vida é recursiva, fingimos que esquecemos, quando, na verdade, o corpo implora incansavelmente pela lembrança e re-corrência dos fatos.
As coisas tensionam, e nesse momento nos damos conta de que o diálogo ainda é o maior remédio para aqueles que ousam encontrar soluções para o espaço educacional. Nem sempre esse é harmonioso. Podem ocorrer desordens, ordens e novos rumos podem ser tomados.
As partes que compunham o todo de minhas ações me fizeram acreditar que era hora de bater asas. Ir e vir é e será o desafio de cada manhã, nunca sabemos o que vamos encontrar. A única coisa da qual sabemos é os espectadores podem ser os grande atores da sua história. Afinal, quem um dia não teve uma história para contar?
As narrativas fazem grandes homens.
A grande lição que deixo é - Façam da escrita seu grande instrumento de idas e vindas nesse mundo. Criem novas histórias e percebam que o elenco só passará por alterações quando você se torna autor e ator de suas próprias encenações. Estarei aqui sempre aberto ao diálogo, pois viver é uma arte, um ofício, só que precisa cuidado.
(Lucas Rodrigues Lopes)
Fui alvejado. O estrago é grande. A bala me rasga por inteiro. O sangue ainda em ebulição cai ao chão. As pessoas que me rodeiam nada fazem, pois percebiam em mim calmaria, sorriso largo de orelha à orelha e felicidade por estar ali. O criminoso foge. Parece que não gostava de ver a felicidade alheia e a tomou de mim. Leva de mim tudo aquilo que um dia preferi proteger, não entregar a ninguém. No fundo a gente sabe quando alguém saberá cuidar, respeitar o que somos e razão de sermos.
Ouço vozes que analisam meu corpo no chão e dizem - Moço tão bonito de sorriso largo foi atingido.
Sou tomado então por uma força ativa de vida que insistentemente balbucia em meus ouvidos - Vá em frente, rapaz. Você nasceu de novo. Bata asas, pois este mundo é apenas um abrir e fechar de cortinas e há muita vida lá fora. Levanto-me como se nada tivesse acontecido anteriormente, desço as escadas do metrô, entro em um vagão sentido rodoviária. As marcas de sangue enojam as pessoas. Nada me abala, pois me sinto tão protegido como se a culpa fosse da estrelas. Não hesito em dizer - Se acredito em anjos, é porque eles existem. Fui abraçado por um.
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O medo de se entregar, de ser feliz, apesar de todo o sofrimento, faz com que fugir seja bem mais fácil. Faz com que não queiramos mais falar de assuntos que ainda nos fazem cuspir fogo no calor entre razão e emoção. Mas, parece que quanto mais desejamos silenciar, mais o corpo busca mecanismos de expor, expurgar, por para fora aquilo que a mente se obriga a esquecer para a vida continuar e o coração se obriga a lembrar, pois dele procede a emoção que vai em direção contrária à razão. Às vezes, um simples entardecer nos traz alguém que questionaremos a eternidade, pois ele quando olhado ao longe parecia príncipe, mas na realidade é apenas um disfarce da esperança, o que no fundo da alma é um monstro autoritário ávido por autoafirmação na querela dos desejos e dos micro poderes na qual não é mais forte quem bate mais, mas quem aguenta apanhar da vida, pois contra ela não há maior tacho que dissolva todas as igualdades e nos mostre que a igualdade mutila, dissipa e pode matar. Todavia, vive-se bem quando aceitamos que somos todos diferentes e que o mundo é apenas uma pequena representação daquilo que podemos ser, ter ou ainda desenvolver.
(Lucas Rodrigues Lopes)
Todos querem opinar. Todos querem ter de quem ou do que falar. Todos querem estar no centro das atenções. O que passa precisa ser percebido, entendido ou compreendido. Nada nem ninguém gosta do obscuro, da meia luz ou da incerteza. Quando tudo acalma, parece-me que todos querem a gritaria, a confusão, o olhar ardiloso e os desafios que movem a vida humana. Quando a peleja e o olhar sanguinário do vigia surgem, todos reclamam. Querem um sonho de liberdade. No qual, prezam pela organização pacífica dos seres em que se respeitem, vivam de forma ordeira e se empenhem pela paz. Mas, se esquecem de que para humanos ser há uma necessidade de mudança na forma de pensar, pois a humanidade é auto-hetero-eco formada. Poderia buscar em si e nos outros a resposta para um diálogo entre a ordem, a desordem e novos rumos/horizontes que a vida lhe proporcionará; poderia tornar-se consciente de que a igualdade é responsável pela mutilação e segregação; além de perceber que a vida é uma grande teia que torna os integrantes dela conectados e contectantes, transformados e transformadores bem como uma indissolúvel relação hierárquica de subordinados e subordinadores.
O que falta muitos perceberem é - A trave que impede o outro de olhar a-diante pode ser a mesma que orientou/direcionou sua visão para um norte unívoco. A vida é pluri-acontecida. Para cada momento da história de vida de cada um, há uma faceta a ser mostrada e protegida.
(Lucas Rodrigues Lopes)
As pessoas entram em nossas vidas, fazem morada e, quando menos, esperamos batem asas. Fazem isso, muitas vezes, não por que querem nos deixar, mas são obrigadas. Empurradas à ação, voam em direção de outros que ainda não aprenderam que a melhor solidão é estar consigo mesmo des-cobrindo cada faceta do bem e do mal que é ser você mesmo. Partir da vida de uma pessoa nem sempre é uma tarefa fácil e simples. Requer cuidado extra. Todavia, faz tanto sentido no momento em que partimos e os que nos rodeiam entendem esse alçar novos voos, pois compreendem que, a cada novo bater de asas, novos horizontes surgirão e, com isso, poderão ampliar sua visão de mundo, além de perceberem que o outro é uma caixa de música que muitas vezes de nada adianta receber novos estímulos ou dar cordas, pois há vida lá fora que espera que seja vivida.
(Lucas Rodrigues Lopes)