Fragmentos de uma identidade

Eu sou muitos. Seria exigir demais de mim que fosse somente um, afinal a cada encontro, a cada beijo, a cada olhar, como uma máquina que recebe comandos por meio de suas teclas, abro-me a novas possibilidades de ser, de ter e, claro, de fazer (Lucas Rodrigues LOPES, 2011)
~ Saturday, August 23 ~
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À memória

O (per)curso de um indivíduo ora parte(s) de um todo ora todo de um parte, ora singular ora plural, ora vida ora morte, ora emergência ora ausência, ora aparência ora essência, passa pelo espectro de arquivo. As muitas ações, os muitos caminhos, as muitas vidas trazidas à memória e os muitos esquecimentos para que a memória numa visão ilusória possa lhe parecer intacta, sob o poder do julgo da igualdade, interdita e interditada. A (im)pressão que fica é de que estamos sob o efeito de um grande arquivista, que habilmente detecta o que deve ser arquivado. Além de deixar claro que é o fio da ordem do discurso que nos habilita à memória trazer elementos que nos fazem sujeitos, que nos tornam narradores de nossas próprias lembranças, porque lembrar é, sobretudo, esquecer. Afinal, as muitas instâncias do discurso nos remetem ao processo de idas e vindas da caminhada que o ser constrói quando se institucionaliza sujeito cindido, sujeito do (des)controle e sujeito da/na memória que emerge e estilhaça, e depreda, (re)edita o que somos no cerne.
O que à memória pode ser trazido está sempre em torno da história e do acontecimento que nos faz contar quem somos, mas, jamais, esquecer-nos de quem o Outro é. Ao nascermos, a esteira do que, por fim, descobrimos como vida já estava rolando, e, então, fomos inseridos nesse grande catavento que, em momentos-outros, faz de nós sujeitos do/no entre-meio. Não somos JAMAIS, estamos SEMPRE. Quem se habilita a arquivar o que somos, a se lembrar do que estamos, a esquecer o que fomos e a se lembrar do que possivelmente seremos?
(Lucas Rodrigues Lopes, 23/08/2014)


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~ Sunday, August 17 ~
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Entre os múltiplos espaços e territórios

O espaço de uma grande cidade organiza seus muitos moradores, lançando mão de estratos hierarquizantes que, em lisos ou estriados, classifica o que horizontaliza e cresce de forma simétrica e seu avesso que, verticalmente, atinge assimetrias revelando caminhos, ruas e acessos como centrais na ocupação e na fabricação de uma nova forma de (sobre)vivência nas/das ruas. Espaço e tempo coadunam na construção de quem somos, por onde vamos e a que redoma pertencemos. Desabitar uma casa e a rua ocupar, fazendo dela morada de todo e qualquer ato antes velado, é fazer emergir novas subjetividades. Como se disséssemos que são novas edições dos sujeitos, porque fraturam a imagem de que as práticas corporais precisam ser pensadas e relegadas ao espaço interno de uma casa ou a algum espaço circundante que pelas (im)posições de suas arestas fecham-se em si, não permitindo a dizibilidade e a visibilidade daqueles que se fazem sujeitos de suas próprias narrativas, afinal são os rituais e a forma como deles falamos que nos fazem dizer de nós mesmos aos outros e (re)conhecer quem são os nossos outros e os nossos mesmos nos outros. Pensar que o banho é (re)velador de intimidades, mas, quando tomado em praça pública, exacerba a liberdade condicionada à abertura da cratera do que se diz humano e permite que aquele em situação de rua se desterritorialize e se increva em um espaço-outro, fator extremamente relevante a fim de que se entenda em que medida o morador de rua faz na/da rua sua casa e torna emergente em seus dizeres a (o)posição da morada e da ocupação de uma casa e, muitas vezes, pode deixar claro que, na rua, segue uma ordem, mas essa se apresenta como incomparável àquela (im)posta em casa, porque quanto mais tempo se passa na rua mais morador o é, mais conhecedor da rua se torna e mais sujeito (des)ordenado se apresenta, porque rompe rotas e desenvolve uma trama discursiva que a (d)ela se torna sujeito quando de forma não-linear povoa o não-povoável e institucionaliza a rua como bem comum e estabelece uma rede de memória nunca imaginada entre o antes, o agora e o depois. (Lucas Rodrigues Lopes, 17/08/2014 )


~ Friday, August 15 ~
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O sujeito (des)ordenado e seus muitos (des)caminhos

As engrenagens do mundo já estavam a todo vapor quando a este mundo chegamos. Há  uma ordem discursiva que faz dos participantes da esteira social sujeitos que narrativas a respeito de si mesmos constroem e mostram que somos seres constituídos no/pelo discurso, sendo este o instrumento que promulga, sentencia à morte ou à exclusão ou  dão a ilusão da liberdade àqueles que se inserem na cadeia espaço-temporal.
Desse modo, voltar para casa, ao final do dia, pode demonstrar que, inconscientemente, os indivíduos que compõem as diversas esferas sociais constituem-se e são constituídos por práticas que fazem deles sujeitos de/a uma ordem.  
Para muitos pode parecer uma atividade cotidiana e algo irrisório, mas pegar uma condução e passar por um sistema que lhe concede passagem ao outro lado da catraca, tendo de estar sujeito a um número que ordena quem você é numa escala numérica, além de haver alguém que verifique a sua fotografia, seu nome e a quantidade de créditos no cartão de transporte é ser interpelado por um dispositivo social que o enquadra numa ordem e diz o que fazer e como fazer. Também, ter seu nome completo (nome e sobrenome) não só estampados em uma conta de água, luz ou telefone, mas também ser chamado de titular em um desses segmentos, são (de)marcações que territorializam as diversas andanças dos habitantes de uma grande cidade, embora corroborem um norte: um endereço, uma casa, um lugar, que não importando a distância, arquiteta o contrário do (sobre)viver nas ruas.  Além disso, a chegada em casa pode ser sinalizada por alguns mecanismos também: ter a chave do portão que dá acesso ao interior da casa e, se residir em um apartamento, ter o controle eletrônico que abre o portão ou, se estiver passando pela portaria, ter a fisionomia reconhecida por quem está no controle de entrada e saída de pessoas.
Contrária à essa dinâmica, pode estar a emergência do (sobre)vivente das/nas ruas. Aquele que (im)(r)rompe (d)as diversas fraturas espaço-temporais que horizontalizam e verticalizam o cenário de uma grande metrópole entre prédios, casas, ruas e avenidas, e criam o efeito de (des)ordem daqueles que dentro-fora e fora-dentro se inteorizam e se exteriorizam o espaço da rua. Por isso, pode se dizer que estar na rua implica estar no entre-meio, como se disséssemos nas inúmeras dobraduras da existência e da emergência dos sujeitos da rua/na rua. Isto seria dizer exterior à ordem dos que habitam casas como estruturas e endereço fixos, constituintes da desordem sob os olhos daqueles que foram educados a pensar que casa é somente sinônimo de fixidez e rigidez dos espaços lisos e interior à ordem dos que desabitam a rua como espaço-tempo fluído, líquido e libertador das amarras sociais que de forma imaginária (re)conduzem seus múltiplos caminhos numa casa-caracol, signo de travessia porque carrega em si mesmo a (im)possibilidade transitória dos múltiplos lugares e faz emergir a constituição do espaço estriado que quebra com a normatização das regras e expandem a ocupação de espaços públicos como a rua e a praça, lugares antes relegados ao todo, mas que tomam partes e repelem os transeuntes que não mais querem fazer parte do todo que é o grupo ou a totalidade dos moradores de rua.

(Lucas Rodrigues Lopes, 15/08/2014)


~ Thursday, August 14 ~
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Para além dos muros de uma (es)cola

A escola é o lugar por natureza dos exemplos: professores, diretores, mantenedores e alunos. Mas, também o é, de forma inconstante, talvez, é verdade, espaço da selvageria, da grande exposição e dos alardes que buscam pelo silêncio e, muitas vezes, pelo seu oposto: A quebra de decoro.
As matérias que os alunos estudam são chamadas de disciplinas; fator que, etimologicamente, já carrega em si uma carga ideológica. Isto implica crenças, valores e costumes; assunto que cabe à escola, instituição de poder educacional, tratar. Não se pode quebrar regras, não se pode romper códigos, não se pode impor ideais ou ideias. Seguindo esse alinhamento, estão as carteiras e a posição central da mesa do professor, que implicam alunos, uns atrás dos outros, e o professor liderando a manada, ditando o que, como, e por qual razão deve ser feito.
Por fim, aponta-se a presença da única fonte natural de luz, que com grades, expressa a não-liberdade e sua ausência não tocante nos seres que se dizem humanos e que ali se encontram. 
Por fim, aqueles que, acima dos professores estão, parecem carecer de um parto humanizado, quando dão luz aos que mais necessitam dela, professores que precisariam de rotas, mapas, orientações para que alcem voos mais leves rumo aos educandos. Estes, sim, precisam ver nos olhos de seus mestres o singelo e a calmaria para que sejam, então, seus maiores legados à humanidade que, mais, carece de Educação. Antes, uma reforma da mente do que uma cabeça bem cheia!

(Lucas Rodrigues Lopes)


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Ah, as palavras

São elas que nos movem à ação. São delas que tiramos ânimo. São dentro delas que significamos e que o Outro me significa. Quando empregadas, podem cessar fogo e atear fogo, quebrar os ossos e de nós fazer meros mortais à deriva da (lou)cura. 
Insistimos de forma (in)cessante que outros nos digam como seus pensamentos são povoados por elas e como esses conjuntos juntos fazem de nós memórias que imploram para ser lembradas, mas, antes de mais nada, esquecidas. Servem-nos de pontes de aquilo que somos e aquilo que seremos, é instrumento politizador de todas as idas e vindas que nos constituem. Ainda, de forma veemente, lembre-se de o causador de toda sua insônia é a reflexão a respeito do dia ou dos dias e do que lhe foi dito: Ah, as palavras!
Às vezes, se não quase todas as vezes, dilaceram a alma, cortam em dois o corpo que quer ser uno, na busca paranoica pela compreensão do seu Outro, mas se esquece que a completa e inteireza da natureza humana jamais alçou voos na humanidade. 

(Lucas Rodrigues Lopes)


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~ Sunday, August 10 ~
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O dia dos pais sem os pais

É um domingo. Um pouco frio. Ouço o vento sussurrar na janela de meu apartamento, e lembro que esse domingo será mais um dia vazio e sem graça. Lembro-me para esquecer e esqueço-me para lembrar de que a ausência sua é a presença que prefigura em meu corpo e me toma por completo. Não sei. Ainda, acho que o maior ópio e vício da humanidade está em não saber nem ter sido ensinado (sobre)viver sem alguém por perto, pajeando, dizendo o que fazer, como fazer, o porquê de fazê-lo bem como deixá-lo de fazer. Mas, é super engraçado como a falta que você me faz se transformou em anjo-guia bem como em estrela cadente que vibra com tanta intensidade que seja onde estiver saberei como seguir, por qual meandro seguir.

Talvez, eu pudesse passar horas e horas aqui falando sobre tudo e todos que me circundam e como tudo mudou desde que você partiu.

Mas, o sonho que me acordou com um sorriso no rosto já satisfez a vontade de comer algodão doce no circo com você.

Beijo no coração, Pai!

(Lucas Rodrigues Lopes)


~ Monday, May 26 ~
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O olhar é dominante. Polaridades se abrem. Dicotomias cerceiam. Opostos se distraem. Cresce-se sabendo que ser homem ou ser mulher evoca idas e vindas na construção de uma sociedade (in)justa no desenho do que é representativo do ser: humano. O branco do jaleco médico nem sempre é signo de inteireza e aceite da paz mundial carente em muitos países que gritam por se tacharem de desenvolvidos. O negro dos seus olhos nem sempre é a escuridão da falta de desenvolvimento de um povo. O amarelo que destoa na ordem e no progresso jamais poderá calar um povo que traz raiz de força e de luta.
Talvez, sob uma ótica psicótica, de medos e cobranças, o que falta é o desejo que corrobora com um santo mais impuro, com um branco mais negro e com uma ordem menos caótica na busca incessante pela imposição de querer estar sempre certo em oposição ao erro. Afinal, o que é lixo aos olhos de alguns se tornaria tesouro aos de outros.

( Lucas Rodrigues Lopes)


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~ Friday, May 23 ~
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Dos escritos pequeninos…

Deixo-o ir, porque quero que seja feliz. (Já)mais quero que esteja amarrado ao tudo que acho e ao nada que deseja. 

(Lucas Rodrigues Lopes)


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Da saudade que ainda sinto!

Parece que foi ontem. Corpo cansado. Não conseguia dormir. Uma ligação que mudaria o curso de toda uma vida. As lágrimas, muitas vezes, ainda (es)correm rosto abaixo. Fiz tudo que estava ao meu alcance. Mas, a alma, às vezes, pesa. Sabe como é? Então! Sinto saudade de como seus olhos cuida(va)m de mim mesmo estando longe. É, consigo entender, agora você se tornou meu Guia-maior e meu medo menor. Obrigado por tudo, porque sei que fez o nada e me propiciou o tudo que sempre (não) teve em detrimento da minha (feli)cidade ou feli (c)idade.

Beijo no coração, Pai!

(Lucas Rodrigues Lopes)


~ Wednesday, April 9 ~
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Praça do Carmo

Quem olhasse o rapaz ao parar o carro diria que algo diferente o tomava. A rapidez dos passos. A pane da tela do celular. Os dedos nervosos na busca pelo histórico de conversa no whatsapp. Enfim, uma ligação. O paradeiro do nego era evidente, então.
O contraste existente entre a fachada da padaria e a veste do garoto indiciavam um incêndio corporal: Era  muito pouco corpo para muito estilo. Cabelos encaracolados. Lábios carnudos. Corpo (an)corado numa pele negra, polida e lisa fazia dele um distintivo ao caminhar em busca de um lugar em que pudessem se sentar. Um chapéu tamponava seus cachos e o protegia do sol. Ao seu lado, um contraste. Desesperadamente, tentava, ao menos, entender de onde surgia todo aquele monumento que, insistentemente, dialogava com maestria e desfiava as ordens do discurso. Do seu (dis)curso. Era demais. Demasiado jovem. Não deixava a conversa ter limiar. O liame era tanto que, observando as horas que já excediam o horário de almoço daquele homem negro, avisa que precisava partir. Ambos rumam ao estacionamento em que havia parado o carro e se beijam na mais tenra infância e gosto de quero mais. Despedem-se. Diante do beijo, dois rapazes se chocam e emitem um juízo de valor: Coragem! O mundo tem mudado mesmo! Mensagens no whatsapp confidenciam o que já era esperado: Houve sinergia entre os dois corpos. O outrora quebrou com paradigmas entre o antes e depois daquele (des)encontro!
(Lucas Rodrigues Lopes)


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As reticencias de ter conhecido você…

Pode ir. Leve tudo que, um dia, me concedeu. Apague toda a admiração que nutriu. Esqueça as curvas e desenhos da corporalidade. Busque o seu maior tesouro: o medo do outro, o medo da entrega, as cobranças excessivas sem nexo e, também, aquelas sem parâmetros. Sobretudo, espero que a (can)dura realidade lhe conduza à (in)compreensão, porque termos a sensação de controle jamais nos fará melhores nem piores que outrem. Além disso tudo, oro fervorosamente aos Deuses para que caminhos imperiosos lhe ensinem que ter certeza de tudo é a maior bobagem e que ser dono de toda razão já existente nos faz néscios diante da mais torpe das sensações: amar e ser amado. Por isso, digo: Faça alguma coisa com o seu nada. Faça tudo com seu nada. Apenas lembre-se de que a vida é espiralada - Quando menos esperamos, somos jogados à baila da vida e questionados do quanto sofrimento imputamos a quem, sem sombra de dúvida, gritou aos quatro ventos que nos amava fortemente e sem rodeios.
Alce novos voos, ambered eyes!
(Lucas Rodrigues Lopes)


~ Thursday, April 3 ~
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Sobre estar na língua que não me pertence

Falar inglês para mim é mágico. É estar entre dois lugares. É conduzir e ser conduzido numa baila em que muitos dos pares pretendem a dança sem ao menos que saibam no que tudo aquilo vai dar. É ir além. É ver e ser visto. É ter desejo. Desejo de ser tomado pelo outro. Pela cultura, pela forma de estar, por tudo aquilo que ela representa. Alguns podem até me olhar com olhos de quem nunca desejou nada, de que nem sabe a própria língua, mas (per)corre caminhos outros na busca incansável do domínio do que o outro propicia e nos toma como exposição. Sou a língua do outro, mas sou o que ele deseja que eu sou, sobretudo, sou o que eu desejo que a língua que eu falo quer que eu faça de mim mesmo. 
(Lucas Rodrigues Lopes)


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A despeito do merecer

Ser constituído pelo discurso e atravessado pelo Outro me leva a pensar que o estranho me enoja, me distancia, me toma como despojo e me oferece como carne de imprensa diante de gestos bestiais. Achar que merece ou não ser fruto de um ato e que seu praticante e sua base materna merecem nomeações de meretriz está fora de cogitação e encontro ou busca pela (in)sanidade. O praticante, quando adentra o espaço em que olhará e será olhado, destituído, para alguns, da sua masculinidade é no mínimo pensar com a cabeça inferior. Não existe sutura que una fragmentos do grotesco em que mulheres postam fotos dizendo que não merecem isso ou aquilo. Com que bases se constrói um discurso, uma pesquisa e um posicionamento? Se essa é a porcentagem que pensa em um país de grande extensão e incompreensíveis (des)venturas midiáticas, por favor, me inclua fora e dentro de um universo da base que consideram machista e de olhares oblíquos. Porque eu sou a oposição daquilo que outrora disseram existir. Jamais pense estar certo, porque a minha pergunta será: O que é verdade? Qual é o contraponto que faz com a verdade que diz ser verdade? O que defende? Quem defende você? 
(Lucas Rodrigues Lopes)


~ Tuesday, March 25 ~
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Vida, ponte de travessia, em busca do Outro

Não dá para ficar à margem de mim mesmo. Preciso exaurir. Buscar dependentes. Olhar à frente. Não consigo me conter em mim mesmo, porque sei que meu maior risco é a mesma pessoa que me autoriza, me barra, me (en)canta, me escandaliza, me purifica, me torna negro ou me embranquece. Também, sei que toda (lou)cura é além. Além de nós todos, além das buscas dos sujeitos que podem nos fazer total e completo sentido. Porque, antes que minha falha e carente memória me insista em dizer: Anjos existem e nos lembram sempre que é preciso (re)pousar na escuridão para que haja luz!

Durma medo meu!

(Lucas Rodrigues Lopes)


~ Thursday, March 20 ~
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O poder além das horas

O espaço estava vazio. As pessoas, por mais que estivessem lá, não conseguiam implantar seus sorrisos. O céu já deixara esvaecer todo seu azul. Tornou-se cinza. Parecia que queria chorar. Não aceitava mais aquela estrela. O carro prateado não despontou no horizonte rumo ao estacionamento. O contingente começava a questionar. O horário já se transporia além de todas as chegadas. O poder supunha que algo houvesse acontecido. O trânsito estava caótico. Carros, buzinas, sons, antes ensurdecedores, agora silenciavam. Calavam-se. Olhavam-se nos fundos de seus olhos. Detectaram algo. Ele partiu. Morreu. Subiu ao monte. O pranto clamou. A voz gritou. Os olhos se abriram. Era apenas um sonho de um simples bater de asas. Seja para sempre feliz onde estiver.

(À espera de um intervalo de aulas, Lucas Rodrigues Lopes)