Fragmentos de uma identidade

Eu sou muitos. Seria exigir demais de mim que fosse somente um, afinal a cada encontro, a cada beijo, a cada olhar, como uma máquina que recebe comandos por meio de suas teclas, abro-me a novas possibilidades de ser, de ter e, claro, de fazer (Lucas Rodrigues LOPES, 2011)
~ Wednesday, April 9 ~
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Praça do Carmo

Quem olhasse o rapaz ao parar o carro diria que algo diferente o tomava. A rapidez dos passos. A pane da tela do celular. Os dedos nervosos na busca pelo histórico de conversa no whatsapp. Enfim, uma ligação. O paradeiro do nego era evidente, então.
O contraste existente entre a fachada da padaria e a veste do garoto indiciavam um incêndio corporal: Era  muito pouco corpo para muito estilo. Cabelos encaracolados. Lábios carnudos. Corpo (an)corado numa pele negra, polida e lisa fazia dele um distintivo ao caminhar em busca de um lugar em que pudessem se sentar. Um chapéu tamponava seus cachos e o protegia do sol. Ao seu lado, um contraste. Desesperadamente, tentava, ao menos, entender de onde surgia todo aquele monumento que, insistentemente, dialogava com maestria e desfiava as ordens do discurso. Do seu (dis)curso. Era demais. Demasiado jovem. Não deixava a conversa ter limiar. O liame era tanto que, observando as horas que já excediam o horário de almoço daquele homem negro, avisa que precisava partir. Ambos rumam ao estacionamento em que havia parado o carro e se beijam na mais tenra infância e gosto de quero mais. Despedem-se. Diante do beijo, dois rapazes se chocam e emitem um juízo de valor: Coragem! O mundo tem mudado mesmo! Mensagens no whatsapp confidenciam o que já era esperado: Houve sinergia entre os dois corpos. O outrora quebrou com paradigmas entre o antes e depois daquele (des)encontro!
(Lucas Rodrigues Lopes)


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As reticencias de ter conhecido você…

Pode ir. Leve tudo que, um dia, me concedeu. Apague toda a admiração que nutriu. Esqueça as curvas e desenhos da corporalidade. Busque o seu maior tesouro: o medo do outro, o medo da entrega, as cobranças excessivas sem nexo e, também, aquelas sem parâmetros. Sobretudo, espero que a (can)dura realidade lhe conduza à (in)compreensão, porque termos a sensação de controle jamais nos fará melhores nem piores que outrem. Além disso tudo, oro fervorosamente aos Deuses para que caminhos imperiosos lhe ensinem que ter certeza de tudo é a maior bobagem e que ser dono de toda razão já existente nos faz néscios diante da mais torpe das sensações: amar e ser amado. Por isso, digo: Faça alguma coisa com o seu nada. Faça tudo com seu nada. Apenas lembre-se de que a vida é espiralada - Quando menos esperamos, somos jogados à baila da vida e questionados do quanto sofrimento imputamos a quem, sem sombra de dúvida, gritou aos quatro ventos que nos amava fortemente e sem rodeios.
Alce novos voos, ambered eyes!
(Lucas Rodrigues Lopes)


~ Thursday, April 3 ~
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Sobre estar na língua que não me pertence

Falar inglês para mim é mágico. É estar entre dois lugares. É conduzir e ser conduzido numa baila em que muitos dos pares pretendem a dança sem ao menos que saibam no que tudo aquilo vai dar. É ir além. É ver e ser visto. É ter desejo. Desejo de ser tomado pelo outro. Pela cultura, pela forma de estar, por tudo aquilo que ela representa. Alguns podem até me olhar com olhos de quem nunca desejou nada, de que nem sabe a própria língua, mas (per)corre caminhos outros na busca incansável do domínio do que o outro propicia e nos toma como exposição. Sou a língua do outro, mas sou o que ele deseja que eu sou, sobretudo, sou o que eu desejo que a língua que eu falo quer que eu faça de mim mesmo. 
(Lucas Rodrigues Lopes)


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A despeito do merecer

Ser constituído pelo discurso e atravessado pelo Outro me leva a pensar que o estranho me enoja, me distancia, me toma como despojo e me oferece como carne de imprensa diante de gestos bestiais. Achar que merece ou não ser fruto de um ato e que seu praticante e sua base materna merecem nomeações de meretriz está fora de cogitação e encontro ou busca pela (in)sanidade. O praticante, quando adentra o espaço em que olhará e será olhado, destituído, para alguns, da sua masculinidade é no mínimo pensar com a cabeça inferior. Não existe sutura que una fragmentos do grotesco em que mulheres postam fotos dizendo que não merecem isso ou aquilo. Com que bases se constrói um discurso, uma pesquisa e um posicionamento? Se essa é a porcentagem que pensa em um país de grande extensão e incompreensíveis (des)venturas midiáticas, por favor, me inclua fora e dentro de um universo da base que consideram machista e de olhares oblíquos. Porque eu sou a oposição daquilo que outrora disseram existir. Jamais pense estar certo, porque a minha pergunta será: O que é verdade? Qual é o contraponto que faz com a verdade que diz ser verdade? O que defende? Quem defende você? 
(Lucas Rodrigues Lopes)


~ Tuesday, March 25 ~
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Vida, ponte de travessia, em busca do Outro

Não dá para ficar à margem de mim mesmo. Preciso exaurir. Buscar dependentes. Olhar à frente. Não consigo me conter em mim mesmo, porque sei que meu maior risco é a mesma pessoa que me autoriza, me barra, me (en)canta, me escandaliza, me purifica, me torna negro ou me embranquece. Também, sei que toda (lou)cura é além. Além de nós todos, além das buscas dos sujeitos que podem nos fazer total e completo sentido. Porque, antes que minha falha e carente memória me insista em dizer: Anjos existem e nos lembram sempre que é preciso (re)pousar na escuridão para que haja luz!

Durma medo meu!

(Lucas Rodrigues Lopes)


~ Thursday, March 20 ~
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O poder além das horas

O espaço estava vazio. As pessoas, por mais que estivessem lá, não conseguiam implantar seus sorrisos. O céu já deixara esvaecer todo seu azul. Tornou-se cinza. Parecia que queria chorar. Não aceitava mais aquela estrela. O carro prateado não despontou no horizonte rumo ao estacionamento. O contingente começava a questionar. O horário já se transporia além de todas as chegadas. O poder supunha que algo houvesse acontecido. O trânsito estava caótico. Carros, buzinas, sons, antes ensurdecedores, agora silenciavam. Calavam-se. Olhavam-se nos fundos de seus olhos. Detectaram algo. Ele partiu. Morreu. Subiu ao monte. O pranto clamou. A voz gritou. Os olhos se abriram. Era apenas um sonho de um simples bater de asas. Seja para sempre feliz onde estiver.

(À espera de um intervalo de aulas, Lucas Rodrigues Lopes)


~ Tuesday, March 4 ~
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Vem logo me ver! Vou tomar banho e vou esperar por você!

O caminho era sinuoso, escuro e lúgrume. O corpo, embora banhado, estava inerte. Parecia uma cena épica de um ato da literatura europeia. Um menino prestes a (des)construir a imagem de um homem. Os que olhassem suas atitudes e comportamentos diriam sem titubear que tinha sido tomado por uma força sobre-humana. Segundo informações de um gerenciador de mapas, o lugar em que residia ficava uns 5 minutos do destino. As coordenadas do caminho foram impressas. Causava estranheza o fato de que o menino já online deixou claro que queria apenas conversar como há meses vinham fazendo pela web. Mas, há sempre vozes que tomam conta do corpo e lideram as emoções; afinal, dessa vez, seria diferente: Pela primeira vez, estariam se vendo face a face. E  algo diferente transcorreria. O garoto cáucaso de barba cerrada era mesmo um menino forte e de fibra. O semblante evidenciava isso veementemente. A entrada na casa em que se hospedava se deu pela porta da frente e, inicialmente, já foi questionado da razão de tanta frieza e negação de um abraço. O garoto disse que, em um primeiro encontro, apenas observava a reação do outro a fim de que pudesse sacar como agir dali em diante. Todavia, houve quebra de decoro. O garoto querendo provar que era homem o suficiente foi em outra direção; mas foi logo impedido. Mas, ele se esquecera de que a vida é mesmo um grande jogo do qual jamais sairemos vivos, além de sermos grandes peças que ora movemos ora somos movidos. O papo fluía. Eram muitos assuntos postos em dia. Uma sensação de que se conheciam há muitos  anos. Entretanto, os donos estariam de volta. Decidiu partir. Os dois, então, saíram a andar pela cidade na busca de um lugar seguro em que pudessem se conhecer melhor. Um parque, talvez. O garoto, embora incomodado, queria sentir algo a mais. Mas, temia uma certa reação de quem o acompanhava. Até que, em uma rua um tanto deserta, o primeiro beijo aconteceu. Era fácil de perceber que a alma aflita do garoto finalmente repousou dentro de tamanho calmo coração. E perguntaram ao homem o que havia tomado com tanta força naqueles dois dias. E resposta dele foi uma célebre frase de um escritor português: “Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo”. Ainda, concluiu: “Há anjos que aparecem em nossas vidas não para mostrar como devemos ser, mas para nos ouvir e nos fazer partir melhores do que quando chegamos”.

(Lucas Rodrigues Lopes)


~ Saturday, March 1 ~
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A identidade me custa caro

Subo ou desço. Alegre ou triste. Certo ou errado. Mentiroso ou verdadeiro. Homem ou mulher. A minha alma emudece e silencia diante do novo ou do velho que insiste em querer o maior ou melhor; o pior ou o torpe. Os meses são de frio ou calor; inverno ou verão. O que mais chateia é a solidão dos corpos. Gordos ou raquíticos. Grandes ou pequenos. Retos ou tortos. Dóceis ou amargos. A dinâmica da vida nos coage a contar quem somos, donde viemos e aonde pretendemos ir. Ou fingimos que vamos. A metáfora da vida insiste em querer (des)construir um sujeito que jamais será visto pela unicidade e por sua proeza em saber contar ao outro quem, de fato, é. Entretanto, o medo de ser aceito ou de ser rejeitado é que mostra que vivemos tempos dúbios nos quais saber quem somos e para onde vamos ou com quem vamos não faz mais tanto sentido assim. O (in)cessante (do) Outro, porque de nada (dis)cursivo terá, mas apresenta questionamentos, atos falhos e deslizes que fazem de mim e daquele a quem escolho para estar sob meus holofotes como quem escolhe bater asas em busca da liberdade tardia de um corpo (in)cansável dos dizeres modernos. Então, descanso o véu da verdade em meu semblante, pois sei que a vida caminha no maior (des)compasso de descobrirmos quem somos realmente, além da magia (en)cantadora em que somos tomados por despojo e total (lou)cura de exigir dos outros o que jamais conseguiremos alcançar. Afinal, somos (des)ordem até dizer chega. Ou ainda: Chega! Porque a busca de uma vida é bem mais ida e finda!

(Lucas Rodrigues Lopes)


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~ Thursday, February 20 ~
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Hey, amber eyed - brother!

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Encontro casual. Rede (in)esperada. Mensagem respondida e correspondida. Dia seguinte: surpresa! Um número dá continuidade. Então, o ontem se (trans)forma o hoje. Digo que, daquele momento em diante, minha vida mudou. Emudeceu. Cresceu:

(Des)construções. Opostos. (Des)cobertas de um eu que nem eu mesmo sabia que pensava assim. Direções contrárias e opostas emergem um novo olhar para sentimentos que antes eram o Calado. Agora, recebem voz. Querem falar. Gritar, talvez!
Quem fala pouco saca tudo: Esse é o seu lema. Estar ligado a cada postagem e a cada ato falho que lhe possa entregar de mãos beijadas a maior joia tomada por despojo como os judeus. Mas, lembre-se bem de que a vida nos coloca pessoas que ora nos elevam aos céus ora nos ensinam lições duras como aprendizes e iniciantes na arte da conquista e da rendição. Porque a gente só entende o outro, quando escuta. Porque escutar o Outro é nos escutar. Quando você fica triste, se machuca ou não consegue buscar o seu melhor; eu entristeço, a dor é minha e a falta do que é o melhor é meu maior castigo. Desejo que seu remédio seja sempre estar ao lado, pois, como dizem em Inglês: I’m your all ears!

Admito! Fui tomado por despojo. Guarde-me se puder!

(Lucas Rodrigues Lopes)


~ Thursday, February 6 ~
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Vai ser!

Durma, medo meu.
Cresça, sonho meu
Mas, deixa
Deixa que eu te esqueça
Esqueça bem
Suma bem
Calque bem
Pois de idas e vindas
Nossos corações estão cheios
Cheios e vazios do mais
Mas fique e seja meu!

(Lucas Rodrigues Lopes)


~ Wednesday, February 5 ~
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Um garato chamado Hoje!

Basta olhar no fundo dos meus olhos e, então, saberá que já não o mesmo. Houve dias em que o medo me consumiu. Houve primaveras que queria florescer bem mais do que era capaz. Houve meses que quis tardar, mas não falhar. O oposto aconteceu: Falhei e entardeci. Todavia, posso garantir que, dessa vez, o bater de asas será bem diferente. Oriente o meu voo bem antes de partimos, porque nessa empreitada iremos juntos rumo ao norte. Norte de nossas vidas. Não serei eu sem você. E espero que você não seja nada nem ninguém sem mim. Porque a busca é sempre, na verdade, na ilusão de encontrar metades que se complementariam. Entretanto, o hoje da contemporaneidade vem nos mostrando que a maior luta é para ser inteiro. Sendo inteiros, (trans)bordaremos a nossa aparência em busca do maior tesouro existente e eminente: a Essência e à margem de nós todos!

(Lucas Rodrigues Lopes)


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G!

O corpo quer sua presença
Assim, confronta a ausência
Busca o cheiro
Aguça o tempero

Querer é bem mais que poder
Voar
Temer
Dominar

Um dia, quem sabe
ao seu lado, estarei
então, perceberei que corpos
Entristecem
Entretecem
Crescem

Pois, de idas e vindas
a vida é composta.
(Trans)forma
Comporta
Conforta.

(Lucas Rodrigues Lopes)


~ Saturday, January 25 ~
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O dia de hoje

Olhei em seus olhos e disse que o amava. Disse a mim mesmo que meu maior medo já não era mais somente meu. Achei, ledo engano meu, que a minha vida teria um novo rumo. Pensei que tudo e todos jamais me alcançariam, porque você seria meu maior escudo. Tudo bem, a gente nem sempre sai de casa para ganhar. A vida é mesmo o lugar ou o campo de batalha em que aprendemos que a minha maior perda pode ser o seu maior ganho. Mas, que perder seja meu maior orgulho, pois como joias raras nem sempre serei encontrado semelhante por aí.

Beijo grande, meu caro!

(Lucas Rodrigues Lopes)


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Nos embalos de uma sexta à tarde

Um banho. Um encanto. Uma admiração. Um beijo. Um olhar. Uma troca. Uma intensidade. Um horário. Uma satisfação. Um cheiro. Uma busca. Uma (cal)maria. Uma brincadeira. Um adeus!

(Lucas Rodrigues Lopes)


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Cada caco unido faz uma nova voz

Deixe-me ir, porque não quero mais estar. Acho de bem pensar que diante existem lugares e pessoas a me constituir. Não adianta. Quem se (de)limita se impõe a novos e a únicos lugares. Sempre haverá pessoas a (trans)formar. Bobeira sua e minha, se pensássemos que deveríamos ficar sempre redutos a pessoas únicas e lugares pares. A vida é bem mais que a organização a que insistimos em ditar. Vai ver o mundo lá fora. As tantas desorganizações nos fazem singulares e ímpares à nossa maneira. Cuidado ao exigir que outros entrem na sua linha e andem do seu jeito. A sua visão se torna limítrofe quando pensa com sua única cabeça. Duas pensam bem mais que uma!

(Lucas Rodrigues Lopes)